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Página Inicial Notícias Rentabilidade da floricultura determinou aposta em exploração modernizada

Rentabilidade da floricultura determinou aposta em exploração modernizada

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JM visitou exploração de flores na Ponta do Sol onde, durante todo o ano, são produzidos crisântemos, rosas e gerberas de várias cores, que são vendidos para o mercado regional

Foto JMCinco mil metros quadrados de puro deslumbramento. Assim se pode caracterizar a exploração de floricultura Pomar e Flor, situada na Ponta do Sol.

O JORNAL da MADEIRA visitou a exploração para ficar a conhecer o modo como anualmente são produzidas algumas centenas de milhares de flores que ajudam a dar ainda mais cor a uma ilha que já é conhecida pela beleza das suas flores. Ali, ao longo de todo o ano são produzidos crisântemos, rosas e gerberas de um colorido tal que não fica indiferente a ninguém.

Logo que chegamos à porta das estufas, a extensão daquele imenso “jardim” e a multiplicidade de cores e espécies constituem um convite a entrarmos e, simultaneamente, funcionam como uma âncora que nos prende ao espaço. O calor que se faz sentir no interior das estufas é por vezes incomodativo. No entanto, a visão que os longos canteiros repletos de flores nos proporcionam é superior e quase nos faz esquecer as altas temperaturas.

Assim que chegámos, à nossa espera já estava Bento Baeta, um dos proprietários da exploração, pronto a nos fazer uma visita guiada pelo espaço e a nos dar todas as informações sobre o modo como são produzidas as flores.

Começámos pelo “cérebro” da exploração, o local onde, através de tecnologia informática e de outros mecanismos, são activados os sistemas de rega e adubação (através de um computador são doseadas as quantidades de fertilizante e de água necessárias para o desenvolvimento das plantas), bem como, no caso das estufas dos crisântemos, são activados toldos que permitem dar menos ou mais luz – consoante o desejado – às flores, para obter uma melhor e mais regular produção ao longo de todo o ano.

Já há mais de vinte anos que Bento Baeta se dedica ao ramo da floricultura. Estas estufas localizadas na Ponta do Sol foram criadas há cerca de sete anos. A escolha por este ramo, tal como explicou, foi por uma questão de rentabilidade. «Quando ainda estávamos na parte da horticultura, começámos a observar no mercado que uma flor valia se calhar quase o preço de um saco de batatas», disse, acrescentando que, por outro lado, falava-se no crescimento do turismo e no desenvolvimento da Região.

A partir daí, deu-se a entrada na área da floricultura, produzindo para «aquilo que o mercado gasta». Quanto à escolha das espécies (crisântemos, rosas e gerberas), teve como factor determinante o facto de serem mais difíceis e de não haver muita gente a produzir.

No sentido descendente, fomos visitando as diferentes estufas, à medida que íamos recebendo as explicações do nosso interlocutor. Começámos pelos crisântemos. À entrada da primeira estufa, encontrámos as plantas mais jovens, ainda com poucos centímetros de altura. Dispostas em escada, consoante a idade e o tamanho, fomos avançando até ao fundo do espaço, onde se encontravam milhares de flores prontas a ser apanhadas. Cenário que se repetia na estufa seguinte, onde, aliás, a irmã e o irmão de Bento Baeta (este último sócio da exploração), juntamente com um funcionário da empresa, se encontravam a colher coloridas hastes e a colocá-las nas embalagens para depois serem distribuídas (pela FAGORAMA).

À medida que continuávamos, o proprietário explicava-nos que as estufas estão cerca de 80 por cento mecanizadas. O sistema de adubação, por exemplo, é fundamental para o desenvolvimento das plantas. No caso dos crisântemos, tal como afirmou, uma vez que são plantas de crescimento rápido (dois meses e meio a três meses e meio) precisam de uma boa alimentação desde o início, «ou não dão nada». «Se passarem fome quando pequenos, não há hipótese, ao passo que as roseiras e as gerberas, como estão dois ou três meses que não produzem, mas estão no terreno dois ou três anos, se passarem um mês que não se alimentem tão bem, no próximo alimentamo-las bem e elas crescem». Por isso, frisou, é que o sistema para dosear a alimentação das plantas se revela importante.

Ainda no que concerne aos crisântemos, uma vez que são plantas de dias curtos, foram criadas condições para que haja produção ao longo de todo o ano. Para o efeito, como referido, foram instalados toldos conversíveis, que permitem dar às plantas a quantidade de luz que as mesmas precisam para crescer e florir. O crisântemo é uma planta que precisa de dias grandes para crescer e de dias curtos para florir. Assim, enquanto as plantas são pequenas, é-lhes dada mais luz. Inclusivamente, durante a noite, ficam vinte minutos com escuro e vinte minutos com luz. À medida que crescem e se vão aproximando da fase de floração, são fechadas as redes, de modo a «cortar um pouco o dia», sendo que as plantas «começam a sentir que o dia está a ficar mais curto e tendem a florir». No fundo, é como se estas fossem “enganadas”.

De seguida, passámos à estufa das roseiras. À semelhança das anteriores, a multiplicidade de cores é também de assinalar. Para amantes de rosas, este é um espaço inesquecível. Ao longo de uma grande extensão elevam-se os botões grandes daquelas que são consideradas das flores mais delicadas. Bento Baeta refere, aliás, que a rosa é a flor mais estimada na Madeira.

Habitualmente, as roseiras permanecem no terreno até sete anos. Ao contrário, dos crisântemos, que assim que florescem são arrancados e plantadas novas plantas, as roseiras florescem várias vezes. Além disso, enquanto que uma haste dos primeiros contém diversas flores, uma haste de roseira corresponde a apenas uma flor.

Não menos impressionante é a plantação de gerberas. Se a multiplicidade de cores era já assinalável nas explorações de crisântemos e de rosas, nesta é ainda superior. Ali, em estufa, estas plantas ficam em média dois anos no terreno, até serem substituídas por outras, de modo a garantir uma maior e melhor produção. São colhidas dois dias por semana.

Tendo já atingido o seu espaço no mercado, o objectivo da empresa passa por produzir mais flores durante o período de Inverno, altura em que, por questões climáticas, há menor quantidade. Por isso, com recurso a luz artificial, Bento Baeta refere que «estamos a tentar pôr um pouco mais o sol dentro das estufas e fazer com que os dias sejam maiores». Desta forma, acrescentou, fazendo com que a planta se mantenha mais em actividade, «tentamos chegar um pouco mais cedo que os outros ao mercado».

«A flor está no sítio certo»

A Associação de Agricultores da Madeira (AAM) conta actualmente com vários sócios do ramo da floricultura. Segundo afirma o presidente da AAM, a flor «está no sítio certo».

De acordo com João Ferreira, a maioria das flores que se produz na Região é para consumo interno, sendo este o melhor mercado para os produtores regionais. «Se o mercado regional é o que melhor paga, é aquele que garante que determinadas explorações possam viver ao longo dos 12 meses do ano, o melhor é produzir para o mercado regional», sustenta.

Numa terra onde impera o turismo, as flores têm sempre venda, ainda que a mesma possa sofrer algumas oscilações. Segundo o presidente da AAM, se por um lado, no Verão, altura em que há arraiais, se verifica uma procura, por outro, há muitas pessoas que as deixam de comprar para embelezar as suas casas, pelo facto de irem de férias. Por oposição, o Inverno é a altura em que as pessoas passam mais tempo em casa e decoram mais as suas residências. Além disso, o sector também oscila consoante a conjuntura económica e depende igualmente da moda (há variedades e cores mais procuradas em determinadas alturas do que outras).

Média de 425 mil hastes por ano

A exploração Pomar e Flor produz uma média de 425 mil hastes de flores por ano. Ao longo dos 12 meses, há sempre flores para apanhar, sendo as mesmas depois vendidas no mercado regional, para entidades que trabalham no ramo do turismo, floristas e outros tipos de empresas.
Segundo o proprietário da exploração, são produzidas anualmente cerca de 200 mil hastes de crisântemos, sendo que cada uma é composta por diversas flores.

Actualmente, são produzidas flores de entre oito a dez cores, das variedades que o nosso interlocutor diz serem as «mais interessantes em termos de mercado». O preço de cada haste varia entre os 50 e 60 cêntimos.

Por outro lado, no que se refere às rosas, são produzidas entre 20 mil a 25 mil hastes, sendo que cada uma corresponde a uma flor. A variedade produzida é a de botão grande, com cerca de dez cores diferentes. Neste caso, os preços são mais variáveis, sendo a média anual de 35 a 45 cêntimos por flor. No entanto, consoante as alturas do ano, os valores podem ser superiores. No período de Inverno, estas flores são vendidas a entre 50 a 60 cêntimos. Já no Dia dos Namorados, altura em que são mais procuradas, por vezes chegam a ser vendidas a entre 70 a 80 cêntimos.

O responsável adianta que tem como objectivo produzir cada vez mais flores no Inverno, com recurso à luz artificial, de modo a que a produção seja ainda mais uniforme ao longo de todo o ano.

Por fim, a produção de gerberas situa-se entre as 180 mil a 200 mil flores por ano, sendo que, tal como as rosas, cada flor corresponde a uma haste. São produzidas cerca de 20 variedades e cada flor é vendida a uma média de 18 a 20 cêntimos.

In JM de 11 de Julho de 2010